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em que se estabeleçam regras de condutas para evitar problemas”, diz. A terapeuta ressalta que o swing é uma ilusão vivida pelo casal para um momento inicial, que pode prejudicar a confiança do relacionamento. F. S., 33, secretária que vive em Belo Horizonte, discorda: “Aqui e na minha frente, ele faz tudo o que gostaria de fazer com outra mulher e eu, com outro homem. Desde que consentida, a satisfação sexual dos dois é sanada, sem quebrar a cumplicidade, porque fazemos juntos”, declara. E o ciúme, onde fica? Na porta e do lado de fora. Quem pratica swing não pode se dar ao luxo de sentir-se enciumado ou enciumada diante de uma situação. É claro que esses ambientes de festas regadas a voyerismo e bebida é convidativa, e as pessoas acabam mesmo se entregando à vibração local, mas, às vezes, um sentimento de posse pode surgir no meio do nada e acabar com tudo. “Já vi casal saindo daqui brigado, namorada forjando desmaio no meio da situação para brecar o que estava acontecendo e mulher que foi embora sozinha e o acompanhante ficou”, diz o garçom de uma casa famosa, que prefere não se identificar. Mesmo para pessoas solteiras, esse é um tipo de diversão que depende de uma autoconfiança extrema, para que não haja o rebote moral no dia seguinte. “Trata-se de uma procura externa para resolver o interno, que muitas vezes se traduz em um grande vazio a ser preenchido. Isso pode até levar à compulsão que caminha para dependência”, alerta a psicóloga. Já para os casais, o risco está em sempre buscar atividades ou métodos adicionais para reacender a chama do relacionamento. Muitas vezes, essa união já está fadada ao fracasso, e os envolvidos nada percebem.
Pratica de Swing tem suas regras
Por trás da aparente liberdade sexual ligada à troca de casais, existem algumas regras seguidas pelos praticantes. No livro “A Cama na Varanda” (Editora Best Seller), a psicanalista carioca Regina Navarro Lins aborda o assunto e enumera os códigos a seguir:
- O casal deve estar sempre de acordo. Os dois precisam saber de que se trata de uma casa de swing. Não vale surpresa.
- A relação tem de estar boa. Ninguém deve procurar no swing uma solução para crises amorosas.
- O respeito à vontade alheia é prioridade. Se alguém preferir só ficar olhando, não deve ser assediado.
- Nenhuma fantasia deve ser condenada. Porém, ninguém pode comentar o que rola entre os casais ali dentro com conhecidos.
- A sutileza é a alma do negócio. Basta um olhar ou um toque para sugerir a troca. Sentar-se por perto também é um bom começo.
- Todos devem ficar anônimos. Dentro e fora das boates ninguém conhece ninguém. Dar nomes, jamais.
- Os homens não devem ir acompanhados de mulheres que não sejam a esposa, a namorada ou uma amiga.
- É preciso evitar ser exibicionista, para não causar constrangimento. Sobretudo, homens solteiros.
- É bom ficar pelo menos uma horinha tomando um drinque ou dançando na boate “normal”, antes de subir para as cabines de amor.
Casal conta a primeira experiência
Um casal se infiltrou e sentiu na pele a aventura. Acompanha do namorado, Kelly* encarou uma noite em uma casa de swing na capital paulista e anotou tudo. Confira os detalhes abaixo.
“Logo que chegamos houve um primeiro impacto: todos na casa vestiam roupões brancos e fomos gentilmente convidados a nos dirigirmos aos vestiários. Lá, as pessoas deixam seus pertences e ficam somente de roupão branco. Já que estávamos na chuva... Colocamos o roupão e voltamos para a pista. Lotada, a casa estava bem animada, pessoas sorrindo, conversando e dançando em um ambiente bem escuro. Lógico, precisamos beber para entrar no clima, afinal queríamos sondar o resto. Na parte de fora, uma piscina com diversas duchas, pessoas tomando banho, conversando bem à vontade. Ao subir as escadas, as suítes abertas convidam a um espetáculo maior ainda: o do prazer. Camas enormes forradas de cetim são povoadas por homens e mulheres em busca da satisfação. Sofás de ponta a ponta deixam os convidados que querem apenas assistir bem acomodados. Olhamos um pouco, mãos dadas, percebi que meu namorado apertava a minha, como se quisesse tomar controle da situação. No meio da cena que assistíamos, um casal se aproxima e nos convida para uma bebida. Sorrindo, agradecemos e resolvemos voltar para o andar de baixo. Na pista, um show começa para aguçar a imaginação dos convidados e esquentar o ambiente ainda mais. Bebemos mais um pouco, conversamos, demos risadas e trocamos olhares. Mas entre nós dois mesmo. Só de estar em uma atmosfera em que o desejo impera, a excitação invade a gente. Depois de alguns beijos mais quentes ainda na pista, resolvemos terminar o show em casa, na nossa cama, entre quatro paredes. E o que vimos fica na memória, para nos lembrarmos ou, quem sabe, até voltarmos numa outra noite de deleite e mais coragem. Acho que deve ser assim mesmo, aos poucos. E convenhamos: devagar, degustando mesmo, deve ser mais gostoso.” (Renata Rode)
* O nome foi trocado a pedido da entrevistada
Veja como foi a primeira vez de uma solteira
Lyly* é uma mulher independente, 33 anos, solteira, nutricionista. Sempre teve curiosidade de visitar uma casa de troca de casais e nunca pôde. Até que, há alguns dias, foi convidada por um amigo que já conhece o tipo de lugar, tomou coragem e foi.
“Sou muito tímida e tive de tomar dois drinques no jantar para ter a coragem de topar o convite do meu amigo de infância (risos). Chegando lá, fui surpreendida pela reação do maître, que veio nos cumprimentar olhando nos olhos e com um aperto de mão, dando boas-vindas. Isso me soou um tanto quanto agressivo, já que eu estava ali morta de vergonha, mas decidi continuar. Logo no bar você percebe algo no ar... Os homens te olham com certa profundidade, enquanto as mulheres, pelo menos as que vi naquela noite, desviaram o olhar diversas vezes. Senti que muitas delas estavam ali para satisfazer o desejo dos parceiros e se esforçavam para isso. Dois drinques mais tarde e tomamos coragem de dar uma volta, ir até as cabines para ver o que acontecia. Foi então que meu amigo chegou ao ápice. Como homem é muito mais voyer que mulher... Havia mulheres que transavam com caras nos sofás; outras, faziam sexo oral em parceiros; alguns, ao redor, apreciavam a cena. Eu achei legal o lance do não julgamento. Quem está lá está a fim de sentir prazer e pronto. Eu quis voltar para o bar e meu parceiro queria olhar e ficar mais. Começou a me acariciar e entramos na onda. Percebi uma outra mão me tocar e senti um arrepio. Foi então que fechei os olhos... É muito intrigante a sensação de ser tocada por mais de um homem e ter outros te olhando... Não fui até o fim, não. Já nos amassos mais calientes, decidi parar e voltar ao bar. Lá encontrei um casal contratado da casa que promovia striptease, interagindo com os convidados. Assistimos ao resto do show e fomos embora. Foi bacana, mas acho que ainda não estou pronta para isso.” (Renata Rode) |